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VOCÊ SABIA...que, no dia 15 de dezembro de 1891, houve a renúncia do presidente do Estado AMÉRICO BRASILIENSE e que o episódio provocou aqui em Ribeirão Preto, o movimento sedicioso conhecido por GOLPE DOS DEZ?  Foi, a rigor, a repercussão de uma crise federal, que também atingiu o estado de São Paulo. Com efeito, nesse dia o presidente de São Paulo, Américo Brasiliense renunciou, assumindo-o o vice-presidente José Alves de Cerqueira César, tendo esse fato repercutido, em Ribeirão Preto, ocorrendo, logo no ínicio de 1892 ( em dia ainda não definido),  o movimento sedicioso conhecido por “GOLPE DOS DEZ”. Expliquemos a origem disso: já nessa época, ocorria sério conflito entre as correntes da recém instalada República.  Com efeito, proclamada a República e instalado o Governo Provisório, duas correntes passaram a se digladiar: a “liberal-democrática”, que objetivava uma República Federativa e presidencial, com separação de poderes, nos moldes dos Estados Unidos. Representavam-na os ministros Rui Barbosa, Campos Sales e Prudente de Morais, e a corrente “positivista”, que defendia uma ditadura republicana, segundo os princípios de Augusto Comte. Representavam-na os militares, líderes conservadores e monarquistas adesistas. Ainda em 1889, foi formada uma Comissão para elaboração do projeto de Constituição, a qual adotou a maioria dos princípios liberais democráticos. Em 24 de fevereiro de 1891, foi a primeira Constituição Republicana promulgada. Excepcionalmente, em suas disposições transitórias, previa a eleição indireta para Presidente da República. Assim apresentaram-se como candidatos, pelo “núcleo duro positivista” o Marechal Deodoro da Fonseca, para presidente, e o Almirante Eduardo Wandenkolk, como vice e pela oposição liberal  Prudente de Morais, para presidente e o Marechal Floriano Peixoto, como vice. Deodoro da Fonseca foi eleito com 129 votos, tendo  Prudente de Morais  97 votos. Para vice, o Marechal Floriano Peixoto teve 153 votos contra 57 recebidos pelo Almirante Wandenkolk. O presidente Marechal Deodoro iniciou seu mandato sob forte tensão política. Tinha a oposição do Congresso e da população devido à crise econômica, em decorrência do “Encilhamento”( excesso de oferta de crédito). Acentuava-se cada vez mais o conflito entre os militares e os políticos civis. Os militares queriam se manter na política e eram favoráveis a uma centralização absoluta e a concentração do poder político, enquanto os civis desejavam a volta dos militares aos quartéis e lutavam por um governo descentralizado e federalista. Tal ato gerou violenta reação, fazendo com que, entre agosto e novembro de 1891, o Congresso tentasse aprovar a "Lei de Responsabilidades", para o fim de  reduzir os poderes do presidente. Deodoro contra-atacou a decisão do Congresso e, em 3 de novembro de 1891,  decretou a dissolução do Congresso, lançando um "Manifesto à Nação", para explicar as razões do seu ato. Tropas militares cercaram os prédios do Legislativo e prenderam líderes oposicionistas, a imprensa do Distrito Federal foi posta sob censura total, decretando, assim, o ESTADO DE SÍTIO no país. Como consequência, ocorreram as demissões dos ministros paulistas Campos Sales e Prudente de Morais. Ao contrário desses velhos companheiros republicanos, o Presidente do Estado Américo Brasiliense  aderiu ao Golpe de Estado e estabeleceu em São Paulo um regime de rigoroso policiamento, chegando a tomar medidas ditatoriais, inclusive censura à imprensa. Por sua vez, a Câmara Estadual, contraditoriamente, no dia 20 de novembro aprovou uma moção contra o golpe de Deodoro e a violação da Constituição, mas aprovou uma outra moção solidarizando-se com o Presidente do Estado Américo Brasiliense. A situação se modificou substancialmente quando, em 23 de novembro de 1891, houve, na Capítal da República,  a amotinação da Armada, a renúncia do Marechal Deodoro, a assunção à presidência de Floriano Peixoto, e, em São Paulo, pressão dos jornais, com duros ataques, manifestações de rua, moções pedindo a renúncia de Américo Brasiliente por parte de muitas Câmaras Municipais. Finalmente, no dia 15 de dezembro de 1891, Américo Brasiliense capitula, abandonando o governo nas mãos do vice-presidente José Alves de Cerqueira César. Este, por sua vez, determinou aos seus partidários que destituíssem as Câmaras Municipais. Assim,  logo que receberam instruções da Capital,  aqui em Ribeirão Preto, aquele que foi denominado “Grupo dos Dez”, constituído por importantes coronéis do café e profissionais liberais, como Cel. Fernando Ferreira Leite, fazendeiro capitalista e representante do Banco Ribeirão Preto;  Cel. Arthur de Aguiar Diederichsen, fazendeiro; Dr. José Alves Guimarães Júnior, advogado e fazendeiro; Major Antonio Barbosa Ferraz Júnior, fazendeiro; Joaquim José de Faria, comerciante e fazendeiro; Dr. Francisco Augusto César, médico;  José de Amorim, funcionário municipal; Manuel Marcondes, Dr. Juvenal Malheiros de Souza Menezes, Juiz Municipal e Dr. Manuel dos Santos Saraíba, com suas milícias, montados a cavalo, desfilaram armados pelas ruas centrais da cidade, rezaram na matriz e se dirigiram à Câmara Municipal  (então instalada onde hoje é o protocolo geral, na rua Cerqueira César), vindo a destituírem os vereadores, sem dispararem, contudo, qualquer tiro, procedendo à aclamação de Junta Governativa para gerir os negócios policiais e municipais até que fosse feita nova nomeação por parte do governo estadual. Nesse sentido, foram aclamados os cidadãos Dr. Antonio Silvério de Alvarenga, Fernando Ferreira Leite e Antonio Barbosa Ferraz Júnior, que permaneceu no poder até que aconteceu a posse da primeira Câmara eleita na República, em 29 de agosto de 1892.