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VOCÊ SABIA...que na edição do  dia 21 de outubro de 1918,  o jornal O Estado de S. Paulo publicou, para prevenção da GRIPE ESPANHOLA, importante comunicado do Serviço Sanitário, sob o título de “Conselhos ao Povo”? As recomendações igualmente serviram a Ribeirão Preto, pois aqui já havia casos. O primeiro deles foi encontrado na área que viria a ser o Bosque Municipal. Um homem muito doente, que chegara de São Paulo, veio a ser internado no Hospital de Isolamento. Para enfrentar a epidemia, a Câmara Municipal autorizou a instalação de um hospital no prédio do Casino da Cia. Antarctica Paulista, com 50 leitos. No dia 19/10/1918, o Hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficência recebera os primeiros doentes transferidos da Casa de Saúde São Sebastião. Dias depois, em 26/10/1918, o Prefeito e médico Dr. Joaquim Macedo Bittencourt expôs, na Câmara Municipal, as medidas que estavam sendo tomadas, desde então, para a hipótese de o Município vir a ser atingido pela epidemia com maior gravidade, tal como atingia Rio de Janeiro e São Paulo. Os jornais traziam números alarmantes e a população estava apavorada. Ainda estava traumatizada pelo que ocasionara a FEBRE AMARELA nos anos de 1889 e 1896. A gripe espanhola (causada por um tipo de vírus Influenza A H1N1), que devastou até 5% da população mundial no início do século passado (até 50 milhões de mortes), não teve origem na Espanha. Ali apenas houve uma grande divulgação. O 1° caso teria sido constatado no Fort Riley, um acampamento militar no interior do estado do Kansas, EEUU,  vitimando o soldado Albert Gitchell, que, em 11/03/1918, deu entrada na enfermaria do acampamento com sintomas de uma forte gripe. Cinco semanas depois, mais de 1.100 soldados do acampamento estavam com os mesmos sintomas, e, desses, 46 morreram. Teve ação mortal em pessoas na faixa dos 20-35 anos de idade. Oficialmente, os primeiros casos de gripe espanhola na cidade de São Paulo foram confirmados pelo Serviço Sanitário do Estado no dia 15 de outubro, por conseguinte, como lembrado, na edição do dia 21/10/1918, p. 3, o jornal O Estado de S. Paulo publicou o seguinte comunicado do Serviço Sanitário, sob o título de “Conselhos ao Povo”: 1.Tomar cuidados higiênicos com o nariz e a garganta: inalações de vaselina mentolada, gargarejos com água e sal, com água iodada, com ácido cítrico, tanino e infusões contendo tanino, como folhas de goiabeira e outras; 2.Tomar, como preventivo, internamente, qualquer sal de quinino nas doses de 25 a 50 centigramas por dia, e de preferência no momento das refeições; 3.Evitar toda a fadiga ou excesso físico; 4.O doente, aos primeiros sintomas, deve ir para a cama, pois o repouso auxilia a cura e afasta as complicações e contágio. Não deve receber, absolutamente, nenhuma visita; 5. Evitar as causas de resfriamento, é de necessidade tanto para os sãos, como para os doentes e os convalescentes. 6. Às pessoas idosas devem aplicar-se com mais rigor ainda todos esses cuidados. Em novembro, a gripe epidêmica fazia vítimas em todo o Estado e em todo o território nacional. Ao que consta, a gripe espanhola teria chegado ao Brasil trazida por passageiros do navio inglês "Demerara", ancorado no Rio de Janeiro, em 14/09/1918. Por aqui, conforme consta da ATA lavrada, naquela ocasião foram consultadas as farmácias sobre se dispunham dos medicamentos recomendados, ou sejam quinino, aspirina e a grippina (a cloroquina da ocasião). Mas, como é de costume nestas ocasiões, havia de tudo um pouco. O Instituto Butantan teve o nome ligado a medicamentos como o "Extrato Tonsilar do Dr. Erico Coelho", que prometia estimular as defesas do organismo. Outro homeopata famoso no período, Murtinho Nobre, recomendava o "Gelsemium", preparado a partir da raiz do jasmim amarelo e, na onda, a Cia. Antarctica lançou a "água tônica", com base no quinino. Em Porto Alegre, o laboratório Sanitas usava de seu respaldo científico para anunciar os comprimidos Oxyform, "único remédio profilático e curativo da influenza espanhola". Ainda na capital gaúcha, o "Formagem", produzido pelo laboratório EKA, não se propunha exatamente a curar a gripe, mas dizia atenuar os sintomas. Ainda por aqui, o Sr. Prefeito contratou o aluguel de um prédio para a instalação de um hospital. Noticiou-se ainda que o Dr. Theodomiro de Mendonça Uchoa colocara à disposição da Câmara dois de seus prédios para instalação de pontos de socorros médicos. No mesmo dia, reunida em sessão noturna, a Edilidade aprovou um crédito de 50:000$000, para postos de socorros, fornecimento de medicamentos e tudo o mais que fosse necessário contra a gripe. Autorizou a Prefeitura ainda a fazer nova operação de crédito da importância que fosse necessária, caso aquele dinheiro não bastasse. Na própria Prefeitura foram manipuladas milhares de cápsulas de quinino. Na linha do Poder Público, a entidade privada "Centro Nacionalista" montou um posto de atendimento bem aparelhado na "Legião Brasileira", para tratamento médico, fornecimento de remédios e de alimentos. Não obstante todos esses esforços, muito embora não tenha sido feito um balanço das mortes acontecidas, acredita-se que, oficialmente, fora em número de 200. (os mortos no Brasil teriam sido 35 mil). Atestados de óbitos foram assinados pelos médicos locais: Drs. Orestes de Carvalho Couto, Eduardo Lopes, Elizaldo F Goyos, Antônio Tinoco Cabral, Antônio Gouveia, Luiz Leite Lopes, Antônio A. De Cenzo, Floriano F. Leite, Abílio Sampaio, Júlio Gallo, Carlos Ráo, Edgardo Cajado, Nery Gonçalves, Hartmann (falecido na epidemia), Marco Túlio de Carvalho, Francisco A. Pompeu de Camargo, Felipe Aché, Mário da Silveira, Francisco Augusto César, José Cesário Monteiro da Silva, Henrique Xavier, Leonel Orsolini, Joaquim de Macedo Bittencourt, Cayres Pinto, Emydio D. Novais;  Alvaro Câmera, Cícero de Barros, Clarindo Serra, Fernando de Morais, Heráclito Roxo Guimarães, J. Dutra de Oliveira, José Vieira Nunes, Júlio Xavier, Mário Carneiro Leão e Oliveira Martins.  O vírus responsável pela gripe espanhola só foi conhecido na década de 1930, e mesmo então a tarefa de produzir medicamentos exitosos contra este vírus permaneceu difícil, dada sua alta capacidade de mutação. A primeira vacina contra a gripe espanhola foi fabricada somente em 1944.

VEJA VÍDEOS SOBRE A GRIPE ESPANHOLA:

https://www.youtube.com/watch?v=_gm66nW1Jek

https://www.youtube.com/watch?v=fFZ6j2rUpwc