VOCÊ SABIA...que, no dia 05 de
junho de 1893, nasceu em Santa Isabel do Rio Preto-RJ, a educadora CARMEN DE
OLIVEIRA PINTO ARRUDA, conhecida por D. Mocinha? Foi filha do médico
Dr. Augusto de Oliveira Pinto e de D. Minervina de Oliveira Pinto. O pai, igualmente nascido em Santa Isabel (RJ),
em 15/09/1890, foi deputado federal por seu estado ao Congresso Nacional
Constituinte. Tomou posse em 15 de novembro seguinte. Participou dos trabalhos
de elaboração da primeira Constituição republicana do Brasil, promulgada em 24/02/1891, e em junho passou a exercer o mandato ordinário. Permaneceu na Câmara dos
Deputados até o fim da legislatura, em 31/12/1893. Foram seus irmãos: Augusto de Oliveira
Pinto, advogado; Octávio de Oliveira Pinto, agricultor; Trajano de Oliveira
Pinto, advogado; Maria Amália Oliveira Pinto; Dagmar de Oliveira Pinto Dália;
Joviniano de Oliveira Pinto, coletor federal e Clarice Oliveira Pinto
Guimarães. Com 20 anos (1913),
casou-se, aqui em Ribeirão Preto com João Dias Arruda, secretário da
Prefeitura, que, nessa condição, exerceu, interinamente, as funções de
prefeito por diversas vezes. Desse consórcio, nasceu o filho João
Paulo de Arruda, advogado e industrial e que foi pai de João Paulo de Arruda
Filho, ex-deputado estadual (1967-1971) e federal (1971-1975; 1975-1979; 1979-1983).
Foram ainda seus filhos: Roberto Arruda, advogado e professor; Ricardo
Arruda, Maria Carmem e Jorge. Como
educadora, D. Mocinha foi a
precursora do ensino secundário particular e profissionalizante na cidade,
fundando e dirigindo o COLÉGIO PROGRESSO, criado em 15/05/1930,
tendo sido instalado em casarão da rua Américo Brasiliense. Até então só havia o Ginásio do Estado,
fundado em 1906. A escola tornou-se referência educacional regional e
desempenhou papel importante no desenvolvimento do ensino privado na cidade
durante as décadas de 1930 e 1940, ocasião em que foi transferida para a
Avenida 9 de julho, no quarteirão desta com as ruas Visconde de Inhaúma, João
Penteado e Barão do Amazonas. A
Profa. Carmen de Oliveira Pinto Arruda, mais do que apenas a diretora, era a
"alma" da instituição. Conhecida por sua postura firme, elegância e
rigor acadêmico, ela moldou o colégio com base em valores de disciplina,
formação moral e excelência intelectual. Além do jardim de infância, cursos
primário, ginasial, pré-jurídico e Escola Normal, havia, igualmente, uma
ênfase muito forte no aprendizado de línguas estrangeiras (especialmente o
francês e o inglês) e em prendas domésticas e artes, preparando as jovens para
a vida social e acadêmica. Dentre os
professores, destaque para José de Magalhães, que foi prefeito de Ribeirão
Preto; José Pedro Moreira, professor, educador regional e fundador de escolas e
Plínio Travassos dos Santos, historiador. Embora frequentada pelas famílias
mais influentes do café e elite urbana de Ribeirão, criando uma rede de
ex-alunos que ocuparam cargos de destaque na sociedade, a escola concedia a
alunos carentes e àqueles que obtivessem as melhores nota, bolsas de estudos.
Dona Mocinha não foi apenas uma educadora, mas uma líder comunitária. Aguardados
por toda a cidade, eram as festas de encerramento do ano letivo e os desfiles
cívicos do Colégio Progresso. Com as
mudanças no sistema educacional e o crescimento da concorrência, o colégio
acabou suspendendo as suas atividades. Em 1948, o governo do estado
de São Paulo pretendia criar mais um ginásio público em Ribeirão Preto. Uma
comissão visitou diversos estabelecimentos particulares em busca de prédio
adequado e constatou que o imóvel Colégio Progresso era ideal para essa
finalidade. A professora Carmen de Oliveira Pinto Arruda aceitou negociar o
prédio. Não pretendendo encerrar definitivamente as atividades escolares, D.
Mocinha, através do Prof. Dr. Rubem Cione, reuniu o corpo docente e
ofereceu aos professores a continuidade dos cursos. Dois dos antigos colaboradores
aceitaram prosseguir: o prof. Mário Antunes de Souza e o prof. Antônio Robazzi.
Assim, constituída por Cione, Antunes de Souza e Robazzi, foi criada a SOCIEDADE
EDUCACIONAL DE RIBEIRÃO PRETO, que se propôs a ser a mantenedora do COLÉGIO
PROGRESSO. Para tanto, foi alugado um pequeno prédio adaptado situado à rua
Visconde de Inhaúma, esquina com rua Prudente de Morais. Com a manutenção do
nível de ensino, as matrículas foram mantidas e aumentadas e os seus diretores
adquiriram novo e mais apropriado prédio e terreno à rua Tibiriça, n. 870,
onde construíram salas de aulas, laboratórios, biblioteca. Contudo, o período era de grande rivalidade
política e a grande ligação dos diretores Robazzi e Cione (tinha sido vereador
pelo PTB) com o Governo de Getúlio Vargas, intermediada pelo deputado federal
Romeu Fiori, facilitava a vida funcional da escola. Ademais eram opositores da
Administração Municipal. Assim, após a morte de Getúlio Vargas, em 1954,
os empresários de ensino concorrentes se aliaram aos adversários políticos de
Rubem Cione e de Antônio Robazzi e tudo fizeram para que o Colégio Progresso tivesse
a autorização de funcionamento cassada, sob a acusação de irregularidades
no reconhecimento do ginásio; funcionamento de cursos com autorização
educacional contestada; irregularidades no registro de professores e emissão de
certificados de ginásio sem validação oficial. Essas denúncias geraram forte
repercussão entre pais e estudantes e na imprensa. Alguns textos de jornal
alegavam que o colégio teria obtido autorizações educacionais por influência
política; estaria ligado a um grupo político rival da administração municipal. Em reação, professores e simpatizantes do
colégio publicaram cartas e artigos defendendo a escola, alegando que: o
ginásio tinha tradição na cidade; formou muitos alunos respeitados; estava
sendo alvo de perseguição política. Contudo, dada a pressão pública e
investigação educacional, autoridades educacionais acabaram por abrir processos
administrativos. Por conseguinte, houve
revisão da situação jurídica da escola, culminando com a cassação da
autorização de funcionamento, em 04/03/1955, não obstante os pareceres
contrários dos inspetores federais Monsenhor Lauriano e Acácio Palma Guião,
sendo que este chegou a pedir demissão de seu cargo público em face da
injustiça cometida. Assim, a Sociedade Educacional de Ribeirão Preto perdeu
o direito de manter o colégio e a escola foi fechada. A medida drástica, porém.
acabou sendo revogada pelo
presidente da República, Juscelino Kubitschek, em 14/03/1956. Todavia, a
providência apenas reparou o dano moral, uma vez que os diretores do
Colégio Progresso já haviam dissolvido a Sociedade Educacional e os prédios
haviam sido transferidos para o Prof. Electro Bonini, para ampliar a AERP –
Associação de Ensino de Ribeirão Preto, neles instalando a Faculdade de Direito
“Laudo de Camargo”. A Prof. Carmem de Oliveira Pinto Arruda faleceu, em São Paulo, em 06/11/1980.
VEJA FOTO DO COLÉGIO PROGRESSO:
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