Acessos: 3.252.208
Você Sabia?
 
Mês:
01 - 02 - 03 - 04 - 05
06 - 07 - 08 - 09 - 10
11 - 12 - 13 - 14 - 15
16 - 17 - 18 - 19 - 20
21 - 22 - 23 - 24 - 25
26 - 27 - 28 - 29 - 30
31

VOCÊ SABIA...que, no dia 22 de maio de 1920, na divisa entre Ribeirão Preto e Cravinhos, no lugar conhecido por “Espraiado”, próximo à fazenda Santa Rosa, veio à tona aquele que foi conhecido como o CRIME DE CRAVINHOS. Com efeito, ali foi encontrado um cadáver, com as orelhas e línguas cortadas e perfurações nas costas e no crânio. Descobriu-se que seria do francês Alphonse Defforge (ou Delenze). A vítima tivera o rosto descarnado. Depois de muitas controvérsias e investigações, o crime foi imputado, como mandante, à poderosa fazendeira Iria Alves Ferreira, proprietária da fazenda “Pau Alto”, uma das maiores produtoras de café do município, situada no Distrito de  Bonfim Paulista. Os executores, como co-autores, teriam sido os administradores Alexandre Silva e Virgílio Bin e os funcionários José Sant’Anna, Romualdo Serapião e Praxedes José da Silva. No decorrer do processo criminal, Iria e Alexandre Silva vieram a ser pronunciados (remetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri) e presos. A versão que se espalhou sobre a motivação foi a de que uma filha de Iria, Maria Eugênia Junqueira (Sinhazinha) numa das frequentes viagens a Paris, havia se apaixonado por um vigarista, vindo com ele a se casar, ali, secretamente. Todavia, ao descobrir o mau caráter do esposo, o qual se dizia “perdidamente apaixonado”, mas deu mostras de não passar de um caça-dotes, a jovem o abandonou, retornando para o Brasil, onde acabou por aqui se casando outras vezes (permaneceu oculto o casamento na França) e ainda tendo um destino ainda mais infeliz – morreu de gripe espanhola, na epidemia de 1918/1919.  Alphonse Defforge (ou Delenze), ao ficar sabendo, já em 1920, da morte da mulher, teria vindo ao Brasil atrás de eventual sua parte na herança. Nos autos do processo, constou que ele teria sido sequestrado já na estação ferroviária de Cravinhos e  fora torturado e morto na sede da Fazenda Pau Alto.  o seu cadáver estaria sendo transportado para ser lançado nas águas do rio Pardo, quando foi encontrado na região do córrego Espraiado. Elucidado o crime, investigada, denunciada, processada e presa preventivamente, Iria Alves Ferreira e Alexandre Silva foram recolhidos em São Paulo. Ela em cela especial, por causa da sua idade, então quase 70 anos, vindo a passar pela maior humilhação de sua vida. Além da batalha travada no Judiciário, em setembro de 1920, depois de permanecer quase um mês em silêncio, os advogados de Iria iniciaram intensa campanha pela sua inocência nos jornais. Foram eles: Fábio de Sá Barreto, Camillo de Moraes Mattos e João Alves Meira Júnior, todos pertencentes à elite ribeirão-pretana e ao grupo político do Cel. Joaquim (Quinzinho) da Cunha Diniz Junqueira, cunhado de Iria Alves Ferreira (Ela fora casada, em 1as. núpcias com o Cel. Luiz da Cunha Diniz Junqueira, irmão de Quinzinho). Até o  bispo Dom Alberto José Gonçalves manifestou-se pela inocência da cafeicultora. Os três advogados viriam a ser importantes políticos em Ribeirão Preto. Uma das teses da defesa era que Iria estava sendo acusada justamente por ser rica, para ser exibida como um exemplo da imparcialidade da polícia e das autoridades do Judiciário. Além do mais, o que era uma questão policial e jurídica converteu-se em questão política tendo em vista as ligações da família Junqueira com o poder dominante representado por Altino Arantes e Washington Luís, proporcionando aos seus inimigos poderosas razões e argumentos para críticas e ataques. E isso era alardeado em matérias pagas nos jornais da Capital, bem como nos locais “O Parafuso” e “O Combate”. No decorrer do processo, como acentuado,  a ré foi pronunciada para ir a Júri. Seus advogados apresentaram recurso contra a pronúncia, sem resultado favorável. Ao ser submetida a julgamento pelo Tribunal do Juri, em 1º/09/1922, Iria Alves Ferreira foi absolvida por falta de  provas de sua participação no crime.

VEJA FOTOS SOBRE O CRIME DE CRAVINHOS

https://www.facebook.com/groups/352813591462861/search/?q=O%20Crime%20de%20Cravinhos

TESTEMUNHO DO BISPO DOM ALBERTO JOSÉ GONÇALVES EM FAVOR DE IRIA ALVES FERREIRA

https://www.facebook.com/photo/?fbid=3796018280412273&set=gm.3213473022063556

VEJA A SINOPSE DA PUBLICAÇÃO "O CRIME DE CRAVINHOS, de JANE JORGE, no link:

http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=C&idCity=19&idCategory=1&idBook=147

VEJA VÍDEOS SOBRE O EPISÓDIO, NO LINK:

https://www.youtube.com/shorts/z4yZcVtfsUI

https://www.youtube.com/watch?v=NaoaU-ya0ks

https://www.youtube.com/watch?v=E--34S9Edfs

https://www.youtube.com/watch?v=fFMRuAVjcNA

VEJA SINOPSE DO FILME “O CRIME DE CRAVINHOS”:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-238965/

CHARGE QUE PÔS EM DÚVIDA A  CREDIBILIDADE DO JULGAMENTO NA ÉPOCA

https://www.facebook.com/photo/?fbid=2542382979109149&set=gm.2051542618256608

 VEJA A SINOPSE DO TRABALHO ACADÊMICO "UM CORONEL DE SAIAS NO INTERIOR PAULISTA: A RAINHA DO CAFE EM RIBEIRÃO PRETO - 1896-1920, DE AUTORIA DE RAFAEL CARDOSO DE MELO:

http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=R&idCity=24&idCategory=10&idBook=1357

VEJA A SINOPSE DE LIVRO DO MESMO AUTOR, QUE FAZ MENÇÃO À ENTÃO RAINHA DO CAFÉ, IRIA ALVES FERREIRA:

https://www.plataformaverri.com.br/?bib=1&local=book&letter=R&idCity=24&idCategory=9&idBook=1578

VEJA TRABALHO ACADÊMICO SOBRE IRIA ALVES FERREIRA:

https://books.scielo.org/id/r48n5/pdf/perinelli-9788595461758-03.pdf

VEJA FOTOS NO LINK:

https://www.facebook.com/groups/352813591462861/search/?q=IRIA%20ALVES%20FERREIRA&locale=pt_BR