VOCÊ SABIA...que, no dia 22 de maio
de 1920, na divisa entre Ribeirão Preto e Cravinhos, no lugar conhecido por
“Espraiado”, próximo à fazenda Santa Rosa, veio à tona aquele que foi conhecido como o CRIME DE CRAVINHOS. Com efeito, ali foi encontrado um cadáver, com as
orelhas e línguas cortadas e perfurações nas costas e no crânio. Descobriu-se
que seria do francês Alphonse Defforge (ou Delenze). A vítima tivera o rosto
descarnado. Depois de muitas controvérsias e investigações, o crime foi
imputado, como mandante, à poderosa fazendeira Iria Alves Ferreira, proprietária
da fazenda “Pau Alto”, uma das maiores produtoras de café do município, situada no Distrito de Bonfim Paulista. Os executores, como co-autores, teriam sido os
administradores Alexandre Silva e Virgílio Bin e os funcionários José Sant’Anna,
Romualdo Serapião e Praxedes
José da Silva. No decorrer do processo criminal, Iria e Alexandre Silva vieram a ser
pronunciados (remetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri) e presos. A versão que se espalhou sobre a motivação foi a de que uma filha de Iria,
Maria Eugênia Junqueira (Sinhazinha) numa das frequentes viagens a Paris, havia se
apaixonado por um vigarista, vindo com ele a se casar, ali, secretamente. Todavia, ao
descobrir o mau caráter do esposo, o qual se dizia “perdidamente apaixonado”, mas
deu mostras de não passar de um caça-dotes, a jovem o abandonou, retornando para
o Brasil, onde acabou por aqui se casando outras vezes (permaneceu oculto o casamento na França) e ainda tendo um destino ainda mais infeliz – morreu de
gripe espanhola, na epidemia de 1918/1919. Alphonse Defforge (ou Delenze), ao ficar
sabendo, já em 1920, da morte da mulher, teria vindo ao Brasil atrás de eventual sua parte na
herança. Nos autos do processo, constou que ele teria sido sequestrado já na estação ferroviária de Cravinhos e fora torturado e morto na sede da Fazenda
Pau Alto. o seu cadáver estaria sendo transportado para ser lançado nas águas do
rio Pardo, quando foi encontrado na região do córrego Espraiado. Elucidado o
crime, investigada, denunciada, processada e presa preventivamente, Iria Alves
Ferreira e Alexandre Silva foram recolhidos em São Paulo. Ela em cela especial,
por causa da sua idade, então quase 70 anos, vindo a passar pela maior
humilhação de sua vida. Além da batalha travada no Judiciário, em setembro de
1920, depois de permanecer quase um mês em silêncio, os advogados de Iria
iniciaram intensa campanha pela sua inocência nos jornais. Foram eles: Fábio de Sá Barreto,
Camillo de Moraes Mattos e João Alves Meira Júnior, todos pertencentes à elite
ribeirão-pretana e ao grupo político do Cel. Joaquim (Quinzinho) da Cunha Diniz
Junqueira, cunhado de Iria Alves Ferreira (Ela fora casada, em 1as. núpcias com o Cel. Luiz da Cunha Diniz Junqueira, irmão de Quinzinho). Até o bispo Dom Alberto José Gonçalves manifestou-se pela inocência da cafeicultora. Os três
advogados viriam a ser importantes políticos em Ribeirão Preto. Uma das teses
da defesa era que Iria estava sendo acusada justamente por ser rica, para ser
exibida como um exemplo da imparcialidade da polícia e das autoridades do
Judiciário. Além do mais, o que era uma questão policial e jurídica
converteu-se em questão política tendo em vista as ligações da família
Junqueira com o poder dominante representado por Altino Arantes e Washington Luís,
proporcionando aos seus inimigos poderosas razões e argumentos para críticas e
ataques. E isso era alardeado em matérias pagas nos jornais da Capital, bem como nos locais “O Parafuso” e “O Combate”. No decorrer do processo, como acentuado, a ré foi
pronunciada para ir a Júri. Seus advogados apresentaram recurso contra a
pronúncia, sem resultado favorável. Ao ser submetida a julgamento pelo Tribunal do Juri, em 1º/09/1922, Iria Alves Ferreira foi absolvida por falta de provas de sua participação no
crime.
VEJA FOTOS SOBRE O CRIME DE CRAVINHOS
https://www.facebook.com/groups/352813591462861/search/?q=O%20Crime%20de%20Cravinhos
TESTEMUNHO DO BISPO DOM ALBERTO JOSÉ GONÇALVES EM FAVOR DE
IRIA ALVES FERREIRA
https://www.facebook.com/photo/?fbid=3796018280412273&set=gm.3213473022063556
VEJA A SINOPSE DA PUBLICAÇÃO "O CRIME DE CRAVINHOS, de JANE JORGE, no link:
http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=C&idCity=19&idCategory=1&idBook=147
VEJA VÍDEOS SOBRE O EPISÓDIO, NO LINK:
https://www.youtube.com/shorts/z4yZcVtfsUI
https://www.youtube.com/watch?v=NaoaU-ya0ks
https://www.youtube.com/watch?v=E--34S9Edfs
https://www.youtube.com/watch?v=fFMRuAVjcNA
VEJA SINOPSE DO FILME “O CRIME DE
CRAVINHOS”:
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-238965/
CHARGE QUE PÔS EM DÚVIDA A CREDIBILIDADE DO JULGAMENTO NA ÉPOCA
https://www.facebook.com/photo/?fbid=2542382979109149&set=gm.2051542618256608
VEJA A SINOPSE DO TRABALHO ACADÊMICO "UM CORONEL DE SAIAS NO INTERIOR PAULISTA: A RAINHA DO CAFE EM RIBEIRÃO PRETO - 1896-1920, DE AUTORIA DE RAFAEL CARDOSO DE MELO:
http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=R&idCity=24&idCategory=10&idBook=1357
VEJA A SINOPSE DE LIVRO DO MESMO AUTOR, QUE FAZ MENÇÃO À ENTÃO RAINHA DO CAFÉ, IRIA ALVES FERREIRA:
https://www.plataformaverri.com.br/?bib=1&local=book&letter=R&idCity=24&idCategory=9&idBook=1578
VEJA TRABALHO ACADÊMICO SOBRE IRIA ALVES FERREIRA:
https://books.scielo.org/id/r48n5/pdf/perinelli-9788595461758-03.pdf
VEJA FOTOS NO LINK:
https://www.facebook.com/groups/352813591462861/search/?q=IRIA%20ALVES%20FERREIRA&locale=pt_BR