VOCÊ SABIA...que, no dia 11 de
março de 1901, faleceu ANTONIO CARLOS DE ARRUDA BOTELHO, que ostentava o título
de CONDE DO PINHAL? Nascido em 26/08/1827, em Piracicaba-SP, foi ele um grande empreendedor e foi
considerado um dos fundadores de São Carlos-SP. Além de cafeicultor na
histórica "Fazenda do Pinhal”, dentre outras, foi um dos grandes cafeicultores de Ribeirão
Preto, onde comprou de um grupo de capitalistas fluminenses, em 1895, a
COMPANHIA AGRÍCOLA DO RIBEIRÃO PRETO. Sobre esta empresa já falamos no texto do
último dia 02 de março. Neste texto, como numa complementação, trazemos novas informações. Com
efeito, para a aquisição da COMPANHIA AGRÍCOLA DO RIBEIRÃO PRETO, o Conde se desfez de velhas fazendas –
Palmital, Santo Antônio e Serra, situadas em São Carlos-SP, numa região de cultivo mais antigo e, portanto, menos produtivas, para adquirir um
empreendimento organizado em bases modernas, situado na região mais promissora do Estado e para onde se destinavam os imigrantes, sobretudo italianos. Com os recursos mobilizados dos seus empreendimentos,
da venda das fazendas e de um empréstimo junto às instituições financeiras
Banco de Crédito Real de São Paulo e Banco da República do Brazil, o Conde pode
reunir os recursos necessários para realizar a transação de compra da COMPANHIA
AGRÍCOLA DO RIBEIRÃO PRETO, a qual
totalizou na importância de 5.410:000$000 (cinco mil quatrocentos e dez contos
e de réis) em março de 1895 (Inventário do Conde do Pinhal, 1ª. Vara de
Orphans, 3º. Cartório, proc. 239, 1901, TJSP: 46). Como já referido no texto
anterior, a administração ficou a cargo dos filhos Carlos José, Carlos Amadeu e
Carlos Américo. As correspondências, entre o conde e o filho Carlos Amadeu, mostram as preocupações que o norteavam. Longe da figura do empresário, residente na capital e envolvido com as atividades comerciais e
financeiras, as cartas revelam um proprietário que administrava uma das suas
fazendas – a Pinhal – e repassava aos filhos, por aqui, conselhos, preocupações
e instruções de como realizar as tarefas ligadas à lavoura, à organização da
mão de obra, receio com as intempéries, com as tarefas pós-colheita, secagem e
beneficiamento do café. O objetivo da
compra da CIA. AGRÍCOLA DO RIBEIRÃO PRETO, cuja principal fazenda era a CHIMBORAZO, como o próprio conde expressava em suas
cartas, era viabilizar uma carreira profissional e, consequentemente, autonomia
econômica dos filhos. Escrevia: “(...) comprei essa Companhia por me parecer
que era bom negócio para os filhos e só para eles, porém vejo que eles não
desejam tomar a sua administração diretamente como a Companhia está
constituída. (...) “.. Informava, Indagava e recomendava: “(...). Digo-vos que
a minha colheita aqui já terminou e amanhã puxa-se o último café da roça. Aí
quando se acaba? Quantos dias têm chovido? Aqui varou o tempo hoje e parece com
jeito de durar. É preciso muito cuidado com o café do terreiro que apanharam
chuva e precisam do serviço de rodo muito ativo, desde as 10 horas até às 4 da
tarde. É preciso muito cuidado na roça a fim de não haver prejuízo do café
porque a palha molhada dificulta muito o abanamento e por isso vai muito café
na palha. Estou ansioso pelo término da colheita.”. As cartas varrem o ano de 1898 e mostram a
dificuldade de contratar mão de obra para carpir e limpar o cafezal, uma das
tarefas mais importantes para assegurar a produtividade do cafeeiro. Abordam, igualmente, as idas à
Hospedaria de Emigrantes, no Brás, em busca de trabalhadores e de famílias de
imigrantes, as quais, por vezes, resultavam frustrantes. Preocupava-se: “ (...) Vejo que ainda estas em
diligência de arranjar gente para carpir o cafezal sem colono, o qual devia
estar com a 2a limpa já realizada. A limpeza dos pastos e a expedição das
palhas para os cafezais, não me afligem tanto a demora de mais um mês ou menos
um mês, mas as limpas nos cafezais se impõem em absoluto; é preciso limpar de
um ou de outro modo. O Carlos [Carlos José Botelho] por meio de quem você
esperava reforço de colonos tem estado na emigração todos os dias para arranjar
para si e não lhe era possível ao mesmo tempo arranjar para lá. Ele aqui está
de pouso e segue hoje para Dourado e me disse que inscreveu na emigração ao
ajudante do G. Lima daí para ter entrada na imigração a fim de poder esse
serviço ser feito independente dele que é o que convém”. Em 11 de março de 1901, aos 73 anos, o conde
faleceu na Fazenda do Pinhal inesperadamente, pois não estava doente e tampouco
sofreu acidente. Morreu dormindo. Magoado, talvez com o roubo de que fora
vítima dias antes, em sua viagem de negócios para o Rio de Janeiro. Na
baldeação, em Taubaté, roubaram-lhe quase 300 contos de réis em dinheiro que levava
consigo. Com sua morte, seguiu-se a abertura do seu inventário. O conde não
fizera testamento. No transcorrer do
inventário surgiu um conflito de interesses entre os herdeiros, tendo como
estopim justamente o valor atribuído à COMPANHIA AGRÍCOLA DO RIBEIRÃO PRETO.
Carlos José Botelho, único filho do
primeiro casamento do conde, considerava a companhia subavaliada, sendo ela a
“joia” entre os bens deixados pelo inventariado (Inventário do Conde, 1901, v.
2: 13 verso - 14, grifos, ). No monte mor, o valor da empresa era de
3.127:500$000, sendo, de fato, o item mais valioso do inventário, correspondia
a 28% do total da riqueza. Na partilha, as ações da companhia foram
distribuídas entre a condessa e seus filhos. (Inventário do Conde, 1901, v. 2 :
13 verso - 20). A contestação de Carlos José Botelho funda-se em três
elementos: a companhia fora adquirida por valor superior a 5.000:000$000 (5 mil
contos de réis); desde então, investimentos foram realizados, de modo que só a
valorizaram, e, por fim, em média, o rendimento anual do empreendimento era de
1.000:000$000 (um mil conto de réis) (Inventário do Conde, 1901, v. 2: 19-23).
Na petição, o advogado, Pedro Lessa, afirmava que seu cliente “será o único
herdeiro a sofrer prejuízo”, pois, os demais, sendo herdeiros da condessa,
receberão no futuro: “(...) quanto mais baixas as avaliações mais será a porção
de bens e valores contida na meação da inventariante” (Inventário do Conde,
1901, v. 2: 23). Na defesa dos herdeiros e da meeira, o advogado-genro, Firmiano de
Morais Pinto, alegava a crise que se instalara na produção cafeeira e a redução
do preço da saca de café, entre 1895 e 1901, como responsáveis pela
desvalorização da empresa agrícola; além de que os rendimentos líquidos eram
bem menores e restava uma dívida junto aos bancos financiadores (Inventário do
Conde, 1901, v. 2: 46 v- 48 v). O pedido de reavaliação não foi atendido. (texto produzido com informações colhidas no artigo “História da riqueza na economia cafeeira
paulista: a família Arruda Botelho (1854-1901)”de autoria de Maria Alice Rosa
Ribeiro e Cristina de Campos, publicado na Revista RESGATE - vol. XX, N. 24 -
jul./dez. 2012 – PÁGS. 59-73).
REVEJA O QUE FOI A COMPANHIA AGRÍCOLA DO RIBEIRÃO PRETO, NO LINK:
http://www.plataformaverri.com.br/index.php?local=voceSabia&mes=3&dia=2
VEJA UMA BIOGRAFIA COMPLETA DO “CONDE DO PINHAL”, NO LINK:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Carlos_de_Arruda_Botelho
VEJA A BIOGRAFIA DO PRIMEIRO FILHO DO CONDE, AQUELE QUE CONTESTOU A FORMA DA PARTILHA DE BENS:
http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=S&idCity=116&idCategory=10&idBook=2523
VEJA A SINOPSE DO LIVRO “A CASA DO PINHAL”, NO LINK:
http://www.plataformaverri.com.br/index.php?bib=1&local=book&letter=S&idCity=116&idCategory=7&idBook=929
VEJA INFORMAÇÃO SOBRE A ESTIRPE "CASA DO PINHAL":
http://www.casadopinhal.com.br/historia
VEJA VÍDEOS SOBRE FAZENDA DO PINHAL, DE SÃO CARLOS, ONDE
RESIDIA ANTONIO CARLOS DE ARRUDA BOTELHO.
https://www.youtube.com/watch?v=sT1q4Zu5GP0
https://www.youtube.com/watch?v=ns9nYcyS0Zg&t=56s