Acessos: 938635
Livros
A
B
C
D
F
G
I
J
L
M
N
O
P
R
S
T
U
V
 
- Resende (2)
- Restinga (2)
- Ribeirão Bonito (3)
- Ribeirão Corrente (1)
- Ribeirão Preto (641)
- Rifaina (4)
- Rincão (3)
- Rio Claro (15)
 
Ribeirão Preto
Sumário / Índice
Francisco Cassoulet - fascículo n. 35 - Revista Revide n. 185
de ,
Ano:
Nº de Páginas: 10 pp.
Editora: Mic Editorial Ltda.
François Cassoulet ,francês de meia idade que chegou a Ribeirão Preto nos finais do século XIX, conseguiu a inserção no universo burguês da Petit Paris. Seus estabelecimentos foram aceitos pelos administradores locais, em parte por conta do desejo febril de modernização/higienização.O sucesso de Cassoulet esteve relacionado com a união de empresários e políticos, que formaram parcerias entre o poder público e o privado. Com esses laços, foi possibilitado a Cassoulet um rápido enriquecimento, passando a ser o grande administrador dos entretenimentos de lazer da cidade. Os estabelecimentos dirigidos por esse empresário foram palcos de glórias e derrotas. François utilizou a imagem feminina, muitas vezes seminua, a fim de conquistar uma vasta clientela que procurava suas casas de diversões não apenas a fim de saciar o anseio sexual. Tais espaços eram símbolos do mundo moderno, servindo como palco para realizar assuntos pertinentes à esfera política e/ou até iniciação sexual dos jovens
[...] alugou um terreno baldio na rua São Sebastião (entre as ruas Amador Bueno e Álvares Cabral) [...] criando, em 1895, o célebre Eldorado, um misto de café-dançante e bordel [...] Os encontros com as polacas ou francesas, por exemplo, ocorriam “em quartinhos ‘puxados’ nos fundos do barracão de seu estabelecimento”. [...] inaugurou os cinemas Bijou Theatre, na Álvares Cabral, e Rio Branco, na avenida Jerônimo Gonçalves; arrendou o teatro Carlos Gomes e Polytheana e ainda montou um rinque de patinação na rua São Sebastião.
O empresário gerenciou o cinema Odeon, que ficava localizado na rua Amador Bueno. Entretanto, de todos os negócios realizados, seu grande feito foi a parceria com a Cervejaria Paulista. Com o objetivo de propagandear sua marca, a Companhia Antárctica Paulista inaugurou, em 1914, o Cassino Antárctica e o Restaurant e Rotisserie Sportsman, fixados entre as ruas Américo Brasiliense, 25, e Amador Bueno, sob números 64, 66 e 68. Ambos foram arrendados pelo empresário teatral François Cassoulet. O Cassino Antárctica juntamente com o Teatro Carlos Gomes, formaram a identidade cultural da Belle Époque Caipira durante a Primeira República na cidade de Ribeirão Preto.Nesse universo de lazer/entretenimentos, existia o baixo meretrício da Petit Paris, representado por mulheres que viviam longe do glamour dos cassinos de luxo. Vale dizer que as casas comerciais do baixo meretrício eram utilizadas em larga escala por colonos – trabalhadores e/ou pessoas que não possuíam poder aquisitivo equivalente para desfrutar dos requintes dos cabarés de luxo de François Cassoulet. Com a diminuição da exportação de café, motivada pela Primeira Grande Guerra Mundial de 1914–1918, os estabelecimentos de entretenimentos locais iniciaram um processo de decadência. Além disso, deve ser levada em conta a crise no campo originada pela geada de 1918. Tal intempérie climática foi observada pelo jornal A Cidade, que notificou o fato sob o título “Ainda a Geada”: “Ribeirão Preto tinha a temperatura de alguns graus abaixo de zero, o que fez terem os fazendeiros immediatamente a previsão da catastropheCom a crise no campo, o comércio local começou a sofrer com a desvalorização do café, gerando um circuito de enfraquecimento econômico na localidade.Outro fator relevante a ser mencionado envolve os estabelecimentos de entretenimentos. Com a decadência econômica de François Cassoulet em 1918 e, posteriormente, seu falecimento, ocorrido “em 17 de fevereiro de 1919,as casas de diversões mantidas por esse personagem foram entregues aos respectivos donos e, paulatinamente, passaram por períodos de abandonos, com fases frustradas de reaberturas.Dessa Belle Époque Caipira na cidade de Ribeirão Preto ficou a memória, que não se apagou no tempo em que o “fruto café” era tido rei.( Texto extraído do trabalho "Sedução, Disciplina e Marginalização...."de Humberto Perinelli Neto e Jorge Luiz França"

voltar